A antagonista - Último capítulo
Naquela noite, a baronesa deixou o amigo em casa e depois retornou para o restaurante para esperar a esposa. Geralmente, costumava buscá-la, gostava daquele tempo ao lado de Gabriele. Ela sempre contava entusiasmada sobre o trabalho, percebia como gostava do que fazia.
Não ocupou uma das mesas como era de costume, seguiu até o escritório, pois Hellen tinha dito que ela estava organizando as finanças.
– Já voltou, amor, pensei que fosse demorar mais. – A Bamberg disse ao ver a esposa. – Só preciso de um tempinho…
A ruiva sentou-se, observando-a diante do computador.
– Acho que está mais do que na hora de contratar mais funcionários para ajudar na administração do restaurante. – Ana dizia, enquanto a fitava. – Pelo que venho acompanhando, os clientes estão aumentando, amor, vai necessitar de ajuda ou acabará sobrecarregada junto com a Hellen.
– Estou ganhando uma análise financeira? – Piscou ousada. – Vem aqui mais perto, baronesa, quero te falar algo.
A Del La Cruz fez o que ela disse. Deu a volta na mesa, parando diante da amada que ocupava a cadeira de couro. Olhava-a com aquele olhar misterioso, como se desejasse desnudar sua alma.
– Diga, minha esposa…
Gabriele a olhava encantada.
Amava quando ela usava aquelas roupas mais casuais. A camiseta colada ao corpo bonito e a calça de moletom. Sabia que naquele dia ela não fora trabalhar. Tinha levado Luna a um parque de diversão na companhia de Branca, Clarice e Lia. Quisera ir junto, mas tivera muito trabalho para fazer.
– Estava pensando em irmos para a serra esse final de semana… – Segurava o cordão da calça. – Que tal? Gosto de estar lá contigo…
Ana a olhava com os olhos semicerrados. Observava-a com cuidado, fitando os lábios bonitos.
– Não sei…depende do que vou ganhar…
A Bamberg a puxou para si, sentando-a em seu colo, invertendo os papéis que costumavam desempenhar naquela história apaixonada. A Del la Cruz a fitou surpresa,
– Você sempre ganha tudo o que pede, minha senhora, até mesmo quando não merece. – Tocou-lhe os seios sobre a blusa. – Nunca lhe nego nada quando merece…
– E quando eu não mereço? – Pousou os lábios no pescoço da amada, mordiscando-o. – Sempre faço tudo o que você quer…– Cedo às suas petulâncias…e ainda faço você gozar bem gostoso…não tem do que reclamar…
Havia uma corado familiar nas bochechas da chef de cozinha. Sempre ficava pasma com as provocações da filha de Antônio. Sentiu um arrepio na nuca só em se recordar de como a amada desempenhava bem seu papel apaixonado.
– Você é muito convencida… – Colocava as mãos por baixo da blusa e já tocava os seios sob o sutiã. – Eu deveria ficar brava, mas como você é muito gostosa na cama e fora dela, eu relevo suas provocações…
A ruiva gargalhou, enquanto passava o polegar pela cicatriz no lábio superior da amada.
– Como se você não merecesse umas palmadas de vez em quando…
– Como se você não me desse…– Levantou-lhe a blusa, desnudando os seios. – E eu só deixo porque me enlouquece suas ousadias… – Passou a língua pelo biquinho rosado. – Diga-me, baronesa, o que fez com a sua querida Tereza que foi até seu escritório? – Já descia a mão, penetrando dentro da calça. – Fico pensando o que poderia ter acontecido se o barão não tivesse me jogado nas suas mãos…
A empresária cerrou os dentes para conter o desejo que se apossava do seu corpo. Era tão fácil perder o controle diante do toque da Bamberg.
– Eu sou muito grata a ele por isso…– Abriu-se mais. – Tenho a neta petulante dele me enlouquecendo dia após dia…
– Abra-se mais para mim…– Sussurrava em seu ouvido. – Deixe-me ver quanto aguenta do meu carinho…
Ana fez o que fora dito, sabendo que seu corpo já clamava pela forma deliciosa que a chef de cozinha lhe conduzia. Movia-se contra ela, ouvia-a sussurrar impropérios em seu orelha. Adorava quando ela ousava daquele jeito.
Gemeu alto, depois levou a mão à boca, pois temia que alguém a ouvisse.
– Sabe que é só minha e que só eu posso tocá-la assim…– Gabriele dizia, aumentando mais a pressão. – Apenas um aquecimento…
Não demorou para Ana se desmanchar naquele mundo de prazer que a neta de Nerus costumava lhe levar.
Escondeu a cabeça no pescoço da amada, enquanto esperava os espasmos em seu corpo diminuir.
Alguns segundos se passaram, então Gabriele voltou a questionar:
– O que a Tereza queria com a minha mulher?
Ana riu, sabendo que a Wasten já tinha lhe contado sobre isso. Levantou a cabeça, fitando-a:
– Apenas tive que ouvir que ela foi expulsa da minha casa por uma freirinha petulante…
– Ela não te disse que andava sendo informante do seu pai?
– Não, ela negou suas acusações.
A chef de cozinha deixou de tocá-la, exibindo a carranca costumeira quando estava com ciúmes.
– E o que você vai fazer hein? Só falta pensar em levá-la para nossa casa de novo.
Ana pegou-lhe as mãos, colocando-as de novo em seu busto.
– Pedi para a contadora fazer as contas, afinal, você a demitiu sem lhe dar nada…quer ser processada?
Gabriele suspirou pesadamente.
– Ela não merecia nada, Ana Valéria! – Arrumou-lhe a blusa e o sutiã. – Não entendo o motivo de ter consideração por aquela cachorra.
Ana tentava não rir da expressão furiosa da esposa, sabia que não era uma boa ideia provocá-la, então lhe deu um beijo na pontinha do nariz.
– Mas não foi você mesma quem disse várias vezes que não vale a pena remoer o passado, minha vida, então só estou seguindo sua filosofia…além disso, ela não vai voltar a trabalhar para mim, apenas vai receber os direitos referente aos anos que prestou serviços…– Tocou mais uma vez o lábio superior com o indicador. – Tereza não me interessa, na verdade, ninguém, além de você, me interessa, então não fique bravinha, pois hoje desejo fazer amor muitas vezes, afinal, sua regra não permitiu que eu fizesse nos últimos dias…
Gabriele desligou o computador.
– Vamos para casa!
Nos dias que se seguiram tudo parecia tranquilo.
Antônio tinha recebido alta, mas necessitava de fisioterapia para recobrar os movimentos. Ana Valéria custeava tudo, mesmo que não tivesse assumido isso abertamente, pedindo para Gabriele assinar os cheques.
Naquela tarde, a Bamberg seguiu até a delegacia, pois recebera a ligação de um defensor público, afirmando que Trevan tinha se entregado por seus crimes.
A Del La Cruz acompanhou a esposa, esperando-a, enquanto a via seguir para falar com o pai de criação.
A neta do barão entrou na sala e viu o fotógrafo sentando, tinha a cabeça baixa. Caminhou até ele, acomodando-se ao seu lado.
Os olhos do homem a fitaram.
– Perdão, filha, mas eu precisei fazer isso… – Dizia em lágrimas. – Fiz muito mal a Del La Cruz, não conseguiria viver sabendo que não recebi nenhuma punição por meus crimes. – Segurou-lhe a mão. – Desejo que seja feliz ao lado da mulher que ama…e quando eu sair daqui, poderei levantar a cabeça…sem ter vergonhas por meus atos…
Gabriele sentia um nó em sua garganta, como se não conseguisse falar. Lágrimas queimavam em seus olhos.
– Mas, Ana não fez denúncias, papai, ela mesma disse que não faria, então por que decidiu se entregar?
– Porque cometi muitos erros, meu anjo, fui um dos responsáveis por tudo de ruim que se passou com a baronesa…eu mesmo negociei com Antônio o vídeo que gravamos…além de ter desviado verbas do barão…como posso andar dignamente depois de tudo o que eu fiz?
A Bamberg chorava copiosamente, enquanto o pai levantava, indo até ela, abraçando-a.
– Vai dar tudo certo, minha criança…
Ana Valéria esperava do lado de fora da delegacia.
Tinha falado com Rogério para que assumisse o caso de Trevan. Não fizera nenhuma denúncia, mas o homem entregara-se, não apenas confessando sua culpa, mas trazendo as provas que o condenavam.
Não negava que pensara que aquele dia chegaria e que ela seria responsável por fazê-lo pagar por seus pecados, porém como amava muito a Bamberg, decidira esquecer tudo o que tinha acontecido, afinal, não mudaria nada em sua vida, colocando-o na prisão.
Passou a mão pelos cabelos, arrumando-o, enquanto permanecia encostada em seu veículo, esperando pela chef de cozinha.
Viu-a deixar o prédio e mesmo que estivesse usando óculos escuros sabia que chorara, pois sua face estava corada em demasia.
Abriu os braços, acolhendo-a, então ouvia o soluço contra seu pescoço, as lágrimas lhe banhando a face.
Acariciou-lhe os cabelos encaracolados, consolando-a como se faz com uma criança. Permanecia lá, abraçando-a, sabendo como sua linda esposa estava sofrendo naquele momento.
– Vamos para casa, amor, cuidarei de você…
– Não tem que ir à empresa? – Indagou com voz chorosa, sem a olhar.
Clarice tinha viajado naquela manhã, fora visitar uns parentes, levando Luna e Lia consigo.
– Vamos para casa…
Ana Valéria organizou a sala de vídeo. Colocou algumas almofadas sobre o carpete, deixando-o aconchegante, depois escolheu um filme para assistir com a esposa. Tinha preparado pipoca e sucos.
Deixara Gabriele tomando banho.
Sabia como ela estava triste, então decidira fazer algo para tentar distraí-la.
Ouviu passos e lá estava sua amada. Usava calça de moletom e camiseta.
Segurou-lhe a mão, seguindo para se acomodar com a Bamberg.
As luzes apagadas e só a TV iniciava o longa.
A Bamberg deitou sobre o peito da esposa, sentindo-se acolhida por seus carinhos e cuidados. Nem sabia o que teria feito se não a tivesse ao seu lado naquele momento tão difícil. Talvez tivesse sucumbido ao desespero.
Sentia as carícias que a empresária fazia em seus cabelos e pensava que jamais imaginara uma baronesa tão atenciosa e amorosa quando a tinha visto pela primeira vez. Ainda se recordava dos olhos ameaçadores que pareciam querer devorar sua alma, ou da sua língua ferina com comentários sarcásticos.
Esboçou um sorriso e isso fora percebido pela esposa.
Ana Valéria arqueou a sobrancelha em indagação e mesmo com a penumbra na sala, era possível ver seu olhar inquisidor.
– Estava me recordando de uma linda e malvada mulher que vi pela primeira vez na sala de reunião…– Segurou-lhe a mão, depois a levou aos lábios. – Obrigada, meu amor, por estar ao meu lado, nem sei se conseguiria suportar tudo isso sem você.
Ambas estavam deitadas de lado, então a ruiva virou-se para fitá-la.
– Minha freirinha, o que eu mais poderia fazer a não ser ficar sempre ao seu lado…– Tocava-lhe a face. – De certa forma me sinto um pouco culpada…é como se tudo acontecesse por minha causa…
– Claro que não, Ana…na verdade, tudo o que lhe foi feito está sendo cobrado, mas não por você…nossas ações têm reações que cedo ou tarde chegarão em nossas vidas…fico triste pelo meu pai, eu o amo muito, sabe, ele foi a única pessoa que se preocupou comigo quando eu perdi minha mãe. Me ensinou muitas coisas, me protegeu do barão…porém, eu entendo, que deseje pagar por seus atos…estou muito triste por isso, mas não acho que ele conseguiria viver com tanta dor na consciência…– Terminava emocionada.
– Eu já pedi ao Rogério para assumir o caso, acredito que não vai demorar muito para que saia em liberdade…– Beijou-lhe a pontinha do nariz. – Não vou dizer que me importo muito com o que acontece com o Trevan, ou com a Lorena, estaria mentindo e isso não combina muito comigo…porém, eu estou tão feliz ao seu lado, tendo a Luna, a mamãe…a intrometida da Wasten…tantas pessoas que só me fazem bem…não tenho mais vontade de perder meu tempo com vinganças…
Gabriele tocou os lábios da amada com os seus. Fê-lo de forma delicada, apenas apreciando o sabor da boca da mulher que a conquistara totalmente. Não se imaginava sem aquele sorriso provocante ou sem seus cuidados nos pequenos momentos. Lembrou-se de quando tivera cólicas no período menstruação e a baronesa ficara com uma bolsa de água quente lhe massageando a barriga ou quando preparava a Luna para ir à escola ou lia histórias para a pequena dormir.
Às vezes, não conseguia acreditar que ela passara por tantos momentos ruins e mesmo assim conseguira se manter em pé.
– Se continuar me beijando assim, minhas boas intenções acabarão desaparecendo. – Ana disse quando o beijo foi interrompido.
Gabriele exibiu um sorriso.
– Então, vamos nos concentrar no filme, minha baronesa. – Deu-lhe um beijo rápido nos lábios, aconchegando-se à esposa. – Te amo…
Na empresa, Wasten, Rogério e Ana Valéria conversavam.
A empresária ocupava sua cadeira, enquanto os dois sentavam-se de frente para ela.
Já se passara dois meses desde que Trevan tinha se entregado a polícia.
– Acredito que terá uma pena branda, podendo até cumprir em liberdade, afinal, você não fez nenhuma acusação. – O advogado dizia. – Estive pessoalmente com ele, parece bastante resignado com o destino que o espera, acho que decidiu pagar por seus crimes para poder ter um pouco de paz.
A ruiva balançava-se devagar na cadeira giratória.
– Diferente de Lorena, essa já conseguiu se livrar das acusações de atentado contra você, ainda mais por ter se arrependido…– Branca dizia. – Soube que se reconciliou com o ex-marido…– Torceu a boca em desagrado. – Espero que se mantenha bem longe de você ou ela vai se ver comigo.
– Deixe-a, não quero saber mais dessas pessoas, estou cansada…apenas desejo que Rogério defenda Trevan, não quero que a Gabriele sofra por causa disso.
– E seu pai?
– Deixe que continue a pensar que a minha esposa se compadeceu de sua situação, não deixe que nada falte, afinal, ele precisa de ajuda, não acredito que consiga voltar para os seus negócios. – Ligou o computador.
Branca trocou olhares com o esposo. Não podia negar que estava muito feliz por tudo de bom que acontecia na vida da Del La Cruz, ainda mais depois de ter aceitado o amor que sentia pela Bamberg. Sonhara tanto que um dia sua menina de olhos da cor do céu pudesse se livrar dos fantasmas do passado, das dores que martirizaram sua alma por tanto tempo.
– E já pediu para o piloto buscar o Pierre na ilha?
A administradora fez um gesto afirmativo com a cabeça.
– Tudo está pronto, acredito que a Gabi vai ter uma bela surpresa.
A ruiva sorriu.
– Ah, também não esqueça de agilizar os trâmites da minha renúncia à presidência. Você assumirá tudo, não tem ninguém mais competente para esse cargo.
Gabriele se arrumava caprichosamente, pois teria que participar de um evento ao lado da esposa. Pensara em se negar a ir, pois tinha muito trabalho no restaurante, porém sabia que não podia agir assim, ainda mais sabendo que era esposa de uma mulher muito importante, deveria ficar ao lado dela e não podia negar que morria de orgulho de assim o fazer.
O evento aconteceria na mansão, então como precisara trabalhar para organizar alguns documentos, arrumara-se no próprio estabelecimento.
Branca quem lhe levara o vestido. A administradora fora muito gentil em se responsabilizar por esses detalhes já que não tinha tido tempo para isso.
Terminou a maquiagem e logo vestia o delicado vestido. O tecido de cetim prateado era longo, exibindo uma fenda lateral. Um cinto cravejado em pedras douradas descansava em seu quadril. Não havia alça, um echarpe completava a elegância do modelo.
Optara por deixar os cabelos soltos.
Suspirou diante da imagem.
Gostou do resultado e sabia que agradaria à esposa.
O jardim da mansão estava arrumado para o evento.
Havia cadeiras brancas em toda área do jardim.
A ruiva estava lá no espaço que fora montado com a presença da juíza que realizaria o casamento.
Viu Clarice aproximar-se.
– Não acredito que a minha filha está nervosa? – A mulher sussurrou em seu ouvido. – Afinal, já fez isso uma vez e com crueldade não? – Provocou-a.
Pierre aproximou-se.
– Sim, tia Clarice, mas é diferente para a baronesa fazer as coisas na base da raiva e agora toda derretida pela Bamberg.
A ruiva enviou-lhe um olhar furioso.
– Não entendo o motivo dessa braveza toda, afinal, daqui a pouco a sua dona vai estar caminhando por aquele carpete vermelho e vai vir até aqui com olhar surpreso…mas ela vai amar…
– Minha dona? – Indagou com um arquear de sobrancelha. – De onde tirou essa história?
– Ah, não se faça de poderosa, todo mundo sabe que a Gabizinha domina muito bem a fera da Del la Cruz, não é verdade, titia?
Clarice riu, enquanto fazia um gesto afirmativo com a cabeça.
– Mãe! – A ruiva lhe repreendeu. – Não sabe que esse francês falsificado fica usando essas histórias para fazer zombaria com a minha pessoa. – Dizia irritada. – E isso que a freirinha manda em mim é pura balela, jamais permitiria que nenhuma mulher tivesse tanto poder sobre mim.
O chef de cozinha gargalhou, já se preparando para continuar a provocação, então viu o olhar da ruiva passar pela figura parada, olhando tudo em total surpresa.
Gabriele observava tudo sem entender o que se passava.
Viu as pessoas que faziam parte da sua vida ocupando algumas cadeiras, enquanto mais na frente sua esposa lhe olhava de forma que a deixou paralisada.
Branca, Lia e Luna trazendo Pandora consigo.
Não conseguiu esconder o sorriso ao ver a cena. A cadela usava um colar de flores.
A criança estendeu-lhe a mão, ela segurou-a, olhava para a pequena travessa que roubara seu coração logo que chegara ali. Beijou-lhe os cabelos ruivos igual os da tia, afagou o animal que parecia querer carinho.
– Aceita casar com a minha mamãe Ana?
A pergunta feita naquela voz infantil pegou a chef de cozinha em total surpresa. Fitou a administradora e a mulher que a protegera quando chegara àquela casa.
– Sua baronesa pergunta se deseja aceitá-la como sua esposa? – A Wasten lhe entregou uma caixinha vermelha. – Ela está bem ali, esperando ansiosa por sua decisão…não demore muito, mesmo que ela mostre aquela cara de mulher segura e poderosa, sei que está muito ansiosa por dentro…
Gabriele voltou a mirar a empresária que estava a uns trinta metros de distância, mesmo assim conseguia vê-la em toda a sua beleza.
Observou-a. Seu vestido dourado, os cabelos flamejantes que o vento tocava como em uma carícia. Sentia um contentamento tão grande dentro de si, igual quando a amada lhe confessara seu amor.
Levou a mão ao peito, sentia o coração acelerado.
Viu Tatiana ao lado de Hellen e de Índio, Rogério com seu olhar paterno e para sua maior surpresa Trevan estava lá, olhando-a com um sorriso.
– E então, menina? – Lia questionou. – Aceita sua baronesa? Veja-a, parece que vai ter um treco.
A chef de cozinha esboçou um sorriso nervoso, enquanto fazia um gesto afirmativo com a cabeça.
Naquele momento, o fotógrafo aproximou-se, abraçando a amada filha. Ficaram assim por longos segundos, enquanto sentia a Bamberg chorar em seus ombros.
– Não é dia para isso, minha criança. – Ele a fitou, acariciando-lhe a face. – Ana Valéria lhe espera…e confesso que nem nos meus melhores sonhos eu imaginaria que teria uma mulher tão maravilhosa…– Pegou um lenço, secando-lhe a lágrima. – A herdeira de Antônio sempre fora essa jovem doce, gentil…e eu sei que ela te ama mais que tudo nesse universo…– Agora ele quem chorava. – Sinto-me honrado em poder te entregar ao seu verdadeiro amor…
A neta do barão assentiu, enquanto voltava a abraçar o pai.
Será que alguém conseguiria ter a noção que como a Bamberg estava feliz naquele momento?
Ouviu o latido de Pandora, parecia impaciente para que a chef de cozinha fosse ao encontro da amada.
Segurou a mão de Luna, a do pai, enquanto Branca e Lia caminhavam ao lado da escolhida da Del la Cruz.
De repente, ouvia-se o som do violino. A orquestra que fora contratada tocava a mesma melodia que a ruiva tinha dedicado à Bamberg.
– Se não fechar a boca vai acabar entrando um mosquito. – Pierre voltou a provocá-la. – Como pode exibir essa cara de tola assim hein?
Ana não pareceu se importar mais com as provocações, apenas tinha seu olhar fixo na mulher que caminhava em sua direção.
Planejara cada detalhe daquele momento, pois mesmo que estivessem casadas, sabia que a ocasião do primeiro casamento não tinha sido algo bom para a Bamberg. Recordava-se dos olhos negros acusadores a lhe fitar naquele fatídico dia. Recordava-se de como usara métodos nada plausíveis para convencê-la a aceitar. Agora queria que fosse algo que a fizesse feliz, que não se sentisse mal em ter em suas lembranças.
Observou a pequena de cabelos avermelhados trazendo a chef de cozinha. Viu Trevan e ficou feliz por Rogério ter conseguido a permissão para que ele estivesse presente. Pandora posicionou-se ao seu lado, recebendo o carinho da dona pela missão ter sido cumprida.
Voltou a mirar a morena de cabelos encaracolados.
A Del la Cruz prendeu o fôlego quando a amada chegou bem perto de si. A mão diminuta da Luna uniu as mãos das duas mulheres, beijando-as de forma gentil.
Os que acompanhavam o ato lagrimavam diante da forma adorável da menina.
Gabriele fitou os olhos azuis que agora se mostravam tão cheios de vida. Olhava-a em total encantamento, como se quisesse mergulhar naquele mar que agora parecia tão calmo. De guardar aquela imagem para a eternidade.
Mordiscou a lateral do lábio inferior demoradamente.
– Já pode casar as duas…
A frase fora dita pela pequena Luna à juíza. Todos riram da inocência da menina.
– Então, aceita ser minha esposa? – A ruiva questionou temerosa.
Ana observou a caixinha que Branca tinha lhe entregado. Abriu-a e viu uma jóia em forma de coração. Abriu-a devagar e viu a foto de Ana Valéria ao seu lado junto com a filha.
Havia lágrimas dançando nos olhos da neta de Nerus.
– Aceitaria um milhão de vezes ser sua esposa…– Disse com a voz cheia de emoção. – Em um milhão de vidas…te aceito todos os dias da minha vida…
Foi possível ver uma lágrima solitária acariciar a face da Del la Cruz.
– Gabi, eu sei que nosso casamento não fora algo que você teria aceitado…eu estava cheia de raiva, não só por achar que tinha traído sua palavra, mas porque eu não conseguia lidar com os sentimentos que começavam a brotar em meu peito…– Pegou as alianças que Clarice segurava. – Agora, quero que lembre desse dia com a certeza do meu amor por você…– Respirou fundo. – Certeza de que eu sou capaz de qualquer coisa para fazê-la feliz…para ver seu sorriso, para sentir seu amor…todos os dias da minha vida…
O ritual da cerimônia iniciou, enquanto as noivas sentiam-se emocionadas em cada palavra dita.
Logo as mulheres assinaram o papel que era apenas uma formalidade, pois ambas já estavam unidas além de todas as vidas.
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