A tutora -- Capítulo 12

                   Alice observava a escuridão iluminada pelos escassos postes de energia. O dia todo pouco pararam, apenas comiam no próprio veículo ou paravam rapidamente em algum posto de gasolina. O tempo todo via o namorado a observar todo o movimento pelo retrovisor, ele sabia com quem estava lidando, sabia que se Amanda se aproximasse de ambos seria uma verdadeira catástrofe.
                  Cerrou os dentes ao se recordar dela. 
               Com certeza devia estar uma fera, era muito arrogante e orgulhosa para permitir que alguém a passasse para trás. Ela podia usar sexualmente qualquer pessoas, mas nunca admitiria que lhe fizessem o mesmo.
                   Estava aliviada por poder ir para longe, pois sabia que seria uma batalha perdida ir contra a Dervelux.
                 Ouviu o som da voz de Jonh, mas apenas fez um gesto de assentimento, pois nem mesmo sabia o que fora dito.
                Sentia-se suja, má, uma verdadeira traidora por ter transado com a empresária e ter gostado. Sim, ainda sentia a pele arrepiar quando se recordava da forma que ela se movia, dos beijos em seu corpo.
                    Soltou um longo suspiro de frustração.
                    Era apenas uma adolescente, isso logo passaria, não havia esse negócio de amor nessa idade, tratava-se apenas de uma ilusão e logo tudo ficaria no passado.


                    Jonh acelerava.
                   Já estavam longe, mesmo assim o rapaz não se sentia segura. Sabia que deveria se afastar. Esses foram os conselhos do pai, ir para o mais longe para fugir do radar da empresária.
                    Avistou luzes e logo viu o letreiro luminoso da pousada isolada em meio à estrada.
                    Segurou a mão de Alice, beijando-a.
                    -- Acho que por hoje estaremos seguros aqui.
                    -- Eu preciso de um banho e de uma cama, estou morta.
                    -- Então vamos lá, meu amor!
                    O rapaz saiu do veículo, depois deu a volta, abrindo a porta para a namorada.
                    A pupila esticou os membros superiores e os inferiores. Estava dolorida e a ideia de um leito para descansar soava sedutoramente.
                   Observou o lugar. Havia mais dois carros parados lá. Era bastante simples, porém isso não importava naquele momento.
                      Segurou a mão do jovem e seguiram para o interior da construção.
                     Havia poltronas de vimes e almofadas coloridas. O piso de madeira reluzia em seu brilho.
                   Havia um balcão e uma senhora sorridente usando óculos parecia mais gentil do que o esperado.
                  -- Boa noite, queridos, o que desejam? -- Indagou com simpatia.
                  -- Por favor, um quarto. – O jovem se dirigiu a recepcionista.
                  -- Dois! – Alice se antecipou.
                   A mulher pareceu curiosa, mas nada disse.
                  -- Apenas um. – Ele sorriu para a senhora e lhe entregou o dinheiro.
                 Uma chave lhe fora entregue.
                 -- O cardápio será entregue nos aposentos e hoje temos uma verdadeira variedades de coisas gostosas.
                 Ambos assentiram, enquanto seguiam pelo corredor. Era visível a irritação da garota, parecia exasperada quando chegaram ao destino.
                   Havia uma cama de casal, uma porta que deveria ser o banheiro, uma poltrona e uma mesa com duas cadeiras.
                    -- Por que você pediu um quarto? – A jovem o questionou.
                 O rapaz se aproximou da menina e tentou beijá-la, mas Alice apenas o deixou tocar-lhe a face.
                -- Fiz isso porque estou com pouco dinheiro. Não posso usar o cartão de crédito, pois não quero que o rastreiem.
              -- Ok! Eu também não tenho dinheiro. – Desvencilhou-se dos braços de Jhon e deitou na cama.
                 -- Você não tem dinheiro agora. Mas não deve esquecer que és muito  rica, porém sua tutora domina tudo.
              A pupila deu de ombros. Não se importava com o dinheiro. Lógico que sabia que era riquı́ssima, tinha ideia da fortuna que lhe fora deixada pelos pais e que eram de administração da Amanda, porém também era sua vontade que toda parte financeira ficasse como estava.
                 -- Amor, estamos seguindo para a fronteira com o Paraguai, lá vamos encontrar meu pai e assim vamos para fora do paı́s. –Ele sentou-se e segurou-lhe as mãos entre as dele. – Iremos para Las Vegas. – Sorriu. – Lá vamos nos casar.
                    Alice puxou as mãos e levantou-se, parecia assustada. Os olhos verdes se estreitaram:
                    -- Casar?
                    Jonh a abraçou.
                 -- Sim, meu anjo. – Segurou seu rosto entre as mãos  e a encarou. – Essa é  a  única maneira de nos livrarmos da Dervelux para sempre.
                        -- Mas, mas eu não quero me casar. – Protestou.
                        -- Por quê? – Mirou-a confuso.
                        -- Porque eu acho que não devemos dar um passo tão sério.
                        -- Mas eu te amo. – Tentou beijá-la novamente, tentativa em vão.
                        -- Por favor, fale com seu pai. Deve haver um jeito para que não precisemos casar.
                         -- Não há jeito. Esse é o único jeito e é isso que nós vamos fazer.
                        A jovem ficou surpresa com as palavras ditas pelo namorado, havia uma determinação que ela não reconhecia. O que iria fazer agora? Não  poderia se casar, não amava o Jonh.
                        -- Preciso de um banho. – O rapaz seguiu para lavabo.





                  A arquiteta estava no escritório, passara o dia em inúmeras reuniões. Agora estava esperando Ricardo em sua sala e esperava que ele tivesse notı́cias boas porque o seu humor só piorara durante aquele período. Não passara um segundo do dia que não lembrasse da traição que sofrera. Baniu de sua mente todas as coisas boas que ocorreram entre elas, tentava de todas as formas esquecer os momentos de amor, amor não, sexo. Fora isso, sexo puro. Porém quando a encontrasse iria lhe mostrar algumas lições, porque em matéria de usar as pessoas, Amanda Dervelux entendia muito bem.
                        O advogado entrou no escritório.
                        -- Diga-me quais são as notı́cias. – A arquiteta o encarou.
                        O homem a mirou. Ela continuava impassível. Estava sentada, com uma postura como se tivesse o mundo em suas mãos. Arrogância pura!
                       -- Não tenho boas notı́cias. – Adiantou-se. – Ela fugiu com o namorado.
                    Ela a seduzira descaradamente e logo em seguida, ainda com o seu cheiro no corpo, correra para o moleque desgraçado.
                        -- O que mais?
                        O advogado baixou os olhos.
                        -- Não sei mais de nada. Parece que ambos foram engolidos pela terra.
                        -- E os detetives?
                     -- Eles estão monitorando o cartão de crédito e o celular do rapaz, porém achamos que ele não os está usando porque sabe que estamos de olho.
             A empresária levantou e caminhou até a grande janela de vidro. Observou a avenida movimentada, as pessoas em sua agonia, corriam para seus lares.
                     Instantaneamente, jogou o celular contra a parede, destruindo-o. 
                     O mais velho assustou-se.
                    -- Onde está o maldito advogado?
                    -- Ele não se encontra e... Ele é o pai do Jonh.
                   A arquiteta o encarou a parecia soltar chispas pelos olhos azuis.
                     -- Você parece muito calmo, Ricardo.
                     -- Estou apenas sendo objetivo.
                      -- Você é a favor dessa fuga! – Acusou-o.
                       -- Apenas acho que deverı́amos deixar a Alice decidir.
                  -- Decidir? – Gritou. – Nunca ela vai decidir nada, quando ela estiver com vinte e um anos eu mesma darei a passagem para ela ir para o inferno, mas antes disso, não.
                   -- Amanda, por favor. Essa menina não merece...
                   -- Chega! – A arquiteta o interrompeu. – Eu a quero em minhas mãos.
                    -- Para quê?
                    --Isso não é da sua conta.
                    Pegou um cartão na bolsa e entregou ao empregado.
                  -- Ligue para ele e o coloque no caso. Não esqueça de frisar sobre a confidencialidade, pois a última coisa que desejo é que os malditos membros do conselhos fiquem sabendo disso.
                Ricardo assentiu. Ele sabia que a polı́cia não poderia ser envolvida. Se isso acontecesse, Amanda teria graves problemas e aı́ sim poderia perder a tutoria.
                    O advogado já estava saindo, quando se virou para a jovem.
                    -- Alice não é a Lara, Amanda.
                   O homem saiu, deixando a tutora sem palavras.
                    Lógico que ela sabia que ela não era Lara, pois a pupila fez um estrago ainda maior em seu orgulho.
                      Sentou-se na poltrona e colocou as mãos no rosto. Não queria imaginar Alice sendo tocada por aquele idiota, enlouquecia só de pensar que ele a beijava e faziam amor. Não!
                        Iria matar aquele miserável.



                    Jonh tinha saı́do para buscar a comida.
                A pupila decidiu ligar para Maria, queria tranquilizá-la. Sabia que a governanta gosta dela e não queria deixá-la preocupada.
                    Na terceira chamada ouviu a voz da senhora.
                    -- Maria, sou eu, Alice.
                  -- Menina onde você está? – A mulher falou chorando. -- Estamos desesperados atrás de ti.
                   -- Não chore, estou bem!
                   -- Mas onde? A Amanda está louca atrás de você, tenho até medo do que ela vai fazer quando te encontrar.
                     Alice sentiu a respiração faltar ao ouvir o nome da tutora e a ameça.
                    -- Dê um recado a Amanda...


                  Ao chegar em casa, a tutora encontrou a governanta agoniada.
                 -- O que houve?
             -- Menina, cadê seu celular, liguei milhões de vezes para ele e só dá desligado. 
                Amanda começou a subir as escadas.
               -- Quebrei!
               -- Ora, você só faz isso porque tem dinheiro para comprar, deveria ter mais consciência...
                -- Chega! – Gritou! – Não estou com saco para ouvir sermões. -- Voltou a caminhar.
                -- A Alice ligou.
                A arquiteta virou-se para Maria.
               -- Onde ele está? – Indagou com um brilho nos olhos.
               -- Ela não disse. – A senhora observou os olhos perderem a expressividade novamente.
                 -- E para que diabos ela ligou?
                 -- Para dizer que está bem... E mandou um recado para ti.
                -- Que recado? -- Indagou por entre os dentes.
                 -- Disse para que você a emancipasse ou casaria com o namorado.
                 -- O quê? – Mais um grito. – Aquela pirralha pensa que está lidando com quem? Eu digo quais são as condições e não ela.
                  -- Filha, não é melhor você reconsiderar...
                  -- Nunca!
                  Seguiu para o quarto.
              Ligou para Ricardo e o mandou entrar em contato com a operadora de telefone para descobrir de onde tinha sido feita a ligação.
                 Não iria se prestar àquele joguinho, não iria de forma alguma negociar com aquela fedelha. Iria encontrá-la e quando a tivesse em suas mãos, a faria pagar por todas as rebeldias.




                  -- Você está doida? – Jonh gritou.
                 Ele estava furioso, Alice lhe contara sobre a ligação.
                 -- Eu precisei fazer isso. Quem sabe a Amanda não me dá a emancipação.
                  -- Coma rápido. Vamos embora daqui .
                  -- Mas por quê?
                 -- Você não percebe? Sua tutora vai rastrear a ligação, vai mover céus e terras para isso e vai nos encontrar.
               Alice percebeu que dará um passo em falso, lógico que a empresária iria fazer qualquer coisa para encontrá-la e isso para quem tinha tanto poder como ela não  seria nada difı́cil.
                    A jovem fez o que o rapaz falou, não poderia arriscar ser encontrada.
                 O rapaz pegou o telefone e ligou para o pai. Precisava que o plano desse certo, tinha que casar com Alice. Seria um homem muito rico se conseguisse o intuito. Sem falar no prazer que teria em ganhar da poderosa Amanda Dervelux. Dessa vez, ele daria uma lição que ela nunca na vida esqueceria.



                    O dia tinha amanhecido chuvoso.
              A pupila já tinha conseguido chegar em Las Vegas, o pai do seu namorado os tinham encontrado na fronteira. Havia flertado um avião e agora estavam naquela cidade no meio do deserto.
                   -- Nem acredito que conseguimos fugir.
               Jonh se encontrava sozinho com seu pai. Estavam no bar do hotel, Alice estava descansando no quarto.
               -- Nem me fale! – O velho tomou todo o conteúdo do copo. – Mas precisamos antecipar essa cerimônia. Tudo só estará resolvido quando Alice Albuquerque tornar-se sua esposa.
                    O jovem também ingeriu a bebida. Girava o copo entre os dedos.
                    -- Ela não quer casar comigo.
                -- O quê? – O homem gritou. – Ela está louca? Eu não fiz tudo isso para trazê-la para passear aqui. – Segurou o filho pela gola da camisa. – Trate de convencer essa fedelha, pois eu gastei muito dinheiro para chegar aqui.
                   O jovem apenas assentiu e seguiu para o quarto.



                   Alice tinha tomado um banho e agora estava deitada.
             Por um momento permitiu-se lembrar da tutora. Parecia piada, mas sentia uma saudade imensa dela. Desejava vê-la, nem que fosse por uma última vez. Como desejava beijar aquela boca e ver aqueles olhos frios se incendiar de paixão. O que a tutora estaria pensando dela naquele momento? Deveria estar com muita raiva, Maria falara que ela quebrara praticamente todo o quarto.
                   Nervosinha! -- Deu um sorriso.
                   Viu Jonh entrar.
                   -- Alice, precisamos conversar.
                    -- O que houve? -- Perguntou sentando-se.
                   -- Meu pai disse que Amanda colocou a polı́cia atrás da gente. – Mentiu.
                -- Como ela pôde fazer isso? Ela sabe que envolver a polı́cia a prejudicaria. -- Falou, surpresa.
                    -- Ela fez uma denúncia de sequestro.—O jovem ensaiou o semblante assustado. – Eu serei preso.
                       Alice levantou.
                      -- Não permitirei que isso aconteça. – Falou determinada.
                      -- Só há uma forma para evitarmos isso.
                      -- Qual?
                      -- Se você casar comigo, a acusação da sua tutora será anulada.
                 A pupila não queria dar aquele passo, porém não poderia deixar que o namorado fosse preso. Não depois de ele ter arriscado tanto por ela.
                     -- Ok! – Ela o encarou. – Eu me casarei contigo. 
                       O jovem a abraçou, feliz.
                     -- Hoje mesmo você será minha esposa, mas quando tudo isso passar, quero me prometa que me dará o divórcio.
                     O rapaz assentiu, feliz por ter conseguido convencê-la.



               No final da tarde, os noivos estavam numa excêntrica capela, com luzes de neon e ao som de Elvis.
               Alice vestia um vestido branco, algo simples, porém que a deixava ainda mais linda. Nos cabelos soltos, uma pequena coroa de flores. O noivo usava um terno. O pai de Jonh e outras três pessoas seriam as testemunhas do enlace.
                Os votos estavam sendo feitos, quando à porta da capela se ouviu uma confusão. A pupila virou e viu quem estava ali. 
                 Amanda vestia calça preta, camiseta, jaqueta de couro. Os cabelos estavam soltos, Linda!
              -- Não lembro de ter recebido convite para o casamento da minha amada pupila. – Sorriu, sarcástica.

Comentários

  1. Mas rapá, está pensando que é fácil se livrar de Amanda Dervelux? Que mulher, até eu fiquei com medo kkkkkkkk

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