A tutora -- Capítulo 11
Alice sentiu um beijo nos lábios. Preferiu fingir que estava dormindo.
O delicioso perfume feminino invadia seus sentidos. Ainda sentia o sangue correr mais rápido em suas veias.
Pensara que seria mais fácil, chegara a imaginar que conseguiria levar o sexo apenas como um meio para conseguir seu objetivo, mas o que sabia é que novamente fora vencida pela vontade de se entregar a Dervelux. A ânsia de se fazer dela a fazia bombear em seu plano.
Não sabia o que fazer e nem como agir. Sabia que não deveria se iludir, tudo não passava de sexo para sua tutora. A única certeza que tinha, depois de tudo, é que a mulher que lhe abraçava naquele momento e fazia carinhos nos seus cabelos lhe desejava. Porém isso não seria suficiente. Agora, poderia admitir para si mesma que estava totalmente apaixonada por Amanda. Amava-a com todas as forças do seu coração e por esse motivo precisaria ir para bem longe. Se ficasse seria destruı́da pela arrogância da empresária.
Desde que o namorado lhe contara sobre o plano que tinha, pensava na forma perfeita de fugir daquele lugar, mas sabia que haveria um jeito de ludibriar a poderosa mulher, pelo sexo, ela cedia pelo prazer do corpo, cedia pela libido aflorada.
As carícias em sua face continuava, mesmo assim, permaneceu em total inércia, pois se despertasse, transariam novamente.
Esperaria que a outra adormecesse.
Amanda estava encantada com aquela garota que dormia em seus braços. Observava-a, parecia querer gravar aquelas feições em sua memória. Dormindo, nem parecia aquela menina rebelde que lhe desafiava o tempo todo. E foi essa forma de nunca se render que fazia com que se interessasse ainda mais por ela. Não sabia o que estava sentindo e tampouco imaginava que aquilo pudesse durar, porém tinha certeza que não queria que aquilo parasse, queria poder tocar, amar aquela pupila todos os dias, sentir seu cheiro, seus carinhos.
A tutora suspirou!
Não sabia como agir, sabia que a queria, porém precisaria convencê-la a terem uma relação discreta, afinal, tinha seu noivo e não poderia arriscar um rompimento. Ainda mais agora que estavam fazendo a fusão das empresas. Logo, logo seria a mais poderosa não só do paı́s, mas do mundo e esse sempre fora o maior desejo da arquiteta e não abriria mão disso por nada.
Seriam amantes, isso seria uma troca perfeita. Daria a liberdade que ela tanto desejava, um bom lugar para viver, viagens, presentes e a única coisa que Alice precisaria fazer era lhe aceitar em sua cama com toda paixão do universo.
Sorriu!
Poderia despertá-la e continuariam a se amar...
Tocou-lhe o seio redondo, usando o polegar para incitar o mamilo rosado.
Aconchegou-se mais a Alice, beijou-lhe os cabelos sedosos e ficou a aproveitar aquele momento de paz, raro entre elas.
Jonh estava do lado de fora dos grandes portões da mansão Dervelux. Já passava das duas da madrugada e nada da namorada aparecer. Só esperava que ela não tivesse mudado de ideia. Tinha planos e precisaria da jovem para concretizá-los.
Observou o céu estrelado e olhando para o casarão ficou a pensar em qual daqueles quartos estaria a Albuquerque.
Pegou o celular do bolso da jaqueta e discou para o pai:
-- Ainda estou aqui a esperar.
-- Ela não apareceu ainda?
-- Ainda não, mas ela deve apenas estar com dificuldade para se livrar da segurança.
-- Precisa tomar cuidado, não deve ser visto aí. Quando tudo estiver resolvido, ligue-me, estarei esperando ansioso.
Entre as árvores do imenso jardim, observou um movimento. E lá estava a namorada, com uma pequena mochila nas costas.
Alice caminhava por entre os arbustos e chorava copiosamente. Parecia que algo tinha sido tirado dela. Uma dor imensa habitava em seu ser. Era como se soubesse que não voltaria mais para aquele lugar, como se não fosse mais ver Amanda.
A jovem abriu o portão com o controle que tinha pego da bolsa da Tutora.
Jonh veio ao seu encontro e abraçou-a, estreitava-a em seus braços carinhosamente.
-- Ah, meu amor. Agora estaremos livres para sermos felizes.
Alice apenas assentiu, precisava terminar aquela relação o mais rápido possível. Não poderia continuar com ele, não depois de ter certeza do seu amor pela arquiteta. Gostava do rapaz, mas agora percebia que era um sentimento fraternal.
-- Vamos sair daqui. – Ele a levou para o carro que estava do outro lado da rua.
A arquiteta despertou, procurou Alice ao seu lado, mas não havia ninguém. Pegou o celular para ver as horas, eram quase oito.
Espreguiçou-se!
A menina devia ter acordado mais cedo e seguido para o próprio quarto para que não levantasse suspeitas. Uma pena! Teria adorado acordar com beijos e carı́cias.
Sorriu e seguiu para o banheiro.
Maria estava desesperada, tinha ido ao quarto de Alice e ela não estava lá. Procurou por toda a casa com a ajuda dos empregados e nem sinal da moça e para piorar o armário de roupas da jovem estava vazio. Teria a menina fugido?
Se assim o fosse estaria para acontecer uma verdadeira guerra.
Precisava avisar a Amanda, porém estava amedrontada pela reação da outra. Bateu na porta e ouviu a voz mandando ela entrar.
Sua menina já estava vestida para trabalhar. Usava uma calça colada, uma camisa de mangas compridas, branca, e um colete na cor preta, combinando com a calça. Os cabelos longos estavam soltos.
Parecia tão bem humorada como há tempos não se via.
-- O que houve, Maria? – Indagou, guardando o computador portátil na bolsa. -- Fale, pois terei que ir rápido à empresa, tenho reuniões hoje. -- Aproximou-se lhe beijou a testa.
-- A menina Alice sumiu. – Soltou de uma vez.
Amanda tinha a sensação de ter levado um soco no estômago, uma agonia tomou conta de si.
Não, aquilo não poderia ser verdade. Como a pupila poderia ter fugido depois da noite maravilhosa que tiveram?
“ Me ame como se fosse a última vez, dispa-se da sua arrogância e da sua frieza.
"Me ame como se fosse nossa despedida.”
Lembrou as palavras e agora tudo fazia sentido. Ela estava se despedindo. Mas como ela saiu da mansão? Não tinha como escalar o alto muro e o portão, ela não tinha o controle.
Pegou a bolsa e jogou todas as coisas no chão. Ela tinha furtado o controle da sua bolsa.
-- Chame Ricardo agora mesmo. Eu o quero aqui em menos de meia hora. – Falou entre os dentes.
A governanta saiu em disparada, estava no corredor quando ouviu o som de objetos sendo quebrados. A arquiteta estava descontrolada.
Alice mantinha a cabeça encostada na janela do carro. Há horas que eles viajavam e não tinha parado um só momento. Ela não sabia para onde estava indo, porém tinha certeza que estavam bem longe da tutora.
Fechou os olhos e começou a lembrar da primeira vez que virá a arquiteta, do primeiro beijo, da primeira vez que fizeram amor...
Amanda sentia a raiva crescer a cada momento dentro de si. Tinha sido usado, enganada por aquela maldita desgraçada. Fora seduzida miseravelmente e isso não iria perdoar. Teria o maior prazer do mundo em destruir Alice Albuquerque. Iria fazê- la sentir a mesma dor que ela estava sentindo queimar sua alma.
Ricardo veio o mais rápido possível. Ao adentrar no quarto da patroa,encontrou tudo jogado pelo chão. Parecia que um furacão tinha passado por alı́.
Encontrou a arquiteta mirando o próprio reflexo no espelho, os olhos da jovem pareciam pretos, o rosto não exibia nenhuma expressão.
Frieza!
Era isso que poderia ser visto naquele bonito rosto. Ele já viru um olhar parecido com aquele, aquela foi a expressão de ódio que Amanda sentira por Lara.
-- Traga-a para mim.
Foram as únicas palavras da tutora que saiu logo em seguida.

Ms um por favor
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