Dolo ferox -- Capítulo 44
O sol estava ameno, mesmo já tendo passado das oito.
Os passos de Natasha ecoavam pela mata, enquanto o monge tentava acompanhá-la. Naquele momento não podia mais se arrepender, mas se pudesse voltar, teria contado tudo novamente. A filha de Elizabeth não merecia ser torturada daquela forma tão cruel. Via nos olhos de um verde tão escuro a agonia e o desespero quando praticamente implorara em tom de comando que ele contasse a verdade, apenas não previra uma reação tão arrasadora e desafiante. Agora pensava nos tantos predicativos que Rick usara para adjetivar a Valerie: arrogante, imperiosa, corajosa, teimosa e dona de si.
Viu-a parar e lhe dirigir um olhar enviesado.
-- Não sei por que me segue, já disse que não é necessário!
-- Preciso que tenha calma, a Nathália está na fazenda, ela não deve te ver, eu falarei com a Valentina! -- Pedia em desespero.
Os olhos verdes se estreitaram ameaçadoramente, enquanto chutava uma pedra com a ponta da bota.
Ouvira durante horas toda a história da sua vida, ouvira durante eternos minutos como era a neta desprezada e amaldiçoada de uma duquesa, de onde tinha vindo e quem era a sua família. Se não fossem os flashes de memórias que sempre lhe trazia um cena nova, não teria acreditado nas palavras daquele religioso.
-- Meu filho corre perigo e eu não permitirei que aquelas mulheres se aproximem dele, não o farão de forma alguma.
O monge chegou mais perto.
Ouvia-se o som dos pássaros, a agitação matutina dos animais que viviam por ali.
-- Será inútil o que fizemos durante todo esse tempo que fingimos que você estava morta?
-- Eu não pedi para que fizessem isso! -- Disse por entre os dentes. -- Posso não me recordar de quem sou, mas de uma coisa tenho certeza, eu não sou uma covarde que se esconderia por trás de um hábito, enquanto as coisas se complicam.
O senhor mais velho suspirou, tentava manter a tranquilidade, mas começava a ficar preocupado com o que podia acontecer.
-- A Valentina é uma mulher inteligente, está conduzindo tudo com maestria e não duvido que consiga se sair de mais esse problema.
A ruiva prendeu a respiração durante alguns segundos ao pensar na morena de olhos tão negros e olhar desafiante.
Então seu corpo reagia a algo que já conhecia bem. Sua atração pela dona da fazenda não era algo incomum, mas a continuação de uma relação que já viviam há algum tempo.
Lembrou-se dos lábios macios e sedutores, do corpo quente e com um aroma tão delicioso…
-- A neta do conde não passa de uma garotinha boba que não sabe nem mesmo fingir! -- Disse bruscamente.
Antes que o monge pudesse falar algo, Natasha voltou a seguir o caminho por entre as árvores, destemida, não parecia se preocupar com o que estava por enfrentar naquele momento.
Valentina já abria a boca para protestar quando Giovana entrou esbaforida na cozinha.
-- O que se passa? -- Helena indagou preocupada.
A empregada gesticulava as mãos em agonia.
-- O que houve? -- A morena questionou se levantando.
-- A freirinha... -- Meneou a cabeça negativamente. -- Não, não, ela disse que avisasse à senhorita que Natasha Valerie deseja lhe ver
Os olhos negros de circense quase saltaram de órbitas.
Ela parecia ter perdido totalmente o controle das ações do próprio corpo. Olhou para todos os lados como se estivesse a buscar quem tinha ouvido aquelas palavras. Sentia-se trêmula, enquanto as batidas do seu coração parecia bater em um ritmo tão frenético quanto os tambores anunciando o carnaval.
Leonardo, Helena e Nicolay pareciam assustados com o que a empregada falou.
-- Natasha? -- Antonini questionou.
Giovana olhava para a patroa e sabia que deveria falar algo, pois via a palidez tomar conta da face.
O pequeno Victor brincava com as madeixas dos cabelos da mãe, parecia alheio a toda aquela situação.
A filha de Nícolas o encarou, viu os olhos verdes e claros pousar nos seus, a gengiva se abrir em um sorriso inocente.
Deus, o que faria agora?
A circense cerrou os dentes, e lentamente como se temesse que as pernas não lhe obedecessem às ordens, depositou o pequeno garoto nos braços da avó. Via a expressão da esposa do arquiteto e em um apelo mudo pediu que ela tivesse calma.
-- Com certeza há algum engano, uma confusão… -- Falou, enquanto arrumava os cabelos. -- A Giovana deve ter… Confundido as coisas, é normal…
A empregada fez um gesto afirmativo com a cabeça tão rápido que decerto ficara tonta, porém antes que os presentes se convencessem do engano, passos foram ouvidos e lá estava a ruiva a parar na soleira.
Nem em um milhão de anos alguém poderia confundi-la com a Nathália. Nem por toda a eternidade, a Valerie com seu poderoso ar arrogante se passaria pela neta preferida de Isadora. Era tão senhora de si, tão dona do espaço que ocupava, como se não estivessem a lidar com uma simples mortal, mas como uma deusa que tinha sede por justiça.
A morena a fitou e sentiu algo engasgar em sua garganta.
Não havia mais o hábito de religiosa que escondia inutilmente a beleza da ruiva. Agora havia a calça preta colada às pernas, a camiseta verde, as botas de couro. Os cabelos estavam soltos, a franja caia sobre sua testa. Estavam longas as madeixas afogueadas brilhavam em concorrência com o sol do meio dia.
Sentiu o filho se manifestar em busca dos braços da mãe, mas não o deixou ir.
Fitava-a e via em seu olhar que não haveria mais desculpas naquele momento.
Helena e Leonardo olhavam espantados para a figura, talvez imaginassem estar em uma histeria coletiva, afinal, foram meses em um sofrimento terrível pela perda da mulher que sempre tiveram como filha.
Natasha observava os presentes, talvez buscasse a face que era idêntica a sua em meios a todos, mas ela não estava ali, a irmã que a odiava não parecia ter compartilhado da ceia matutina.
Voltou a encarar Valentina.
Essa parecia desesperada e no seu olhar havia súplicas que jamais aceitaria. Agora, a bela morena teria que lidar com a verdade, chegara o momento que ela teria que explicar todo aquele enredo confuso para os que por ele se interessasse.
Mirou os olhos que pareciam tão escuros quanto os seus e com voz baixa e controlada falou:
-- Não, Valentina, não há confusões, nem enganos nesse momento…Nem as suas mentiras poderão ser proferidas mais, pois só o que é verdadeiro prevalecerá... Sou Natasha Valerie de Hanminton.
Helena e Leonardo observavam a arquiteta boquiabertos. Os olhos de ambos pareciam aos poucos se encherem de lágrimas, enquanto o conde mirava a ruiva e depois a neta. Percebia que a trapezista não parecia estar surpresa. Não havia insídia entre elas.
A circense se aproximou da bela Valerie, tomando-a pela mão,virou-se para os outros:
-- Eu prometo que explico a todos depois, agora não é o momento, então por favor, não façam comentários e esperem por mim.
Antes que a filha de Elizabeth protestasse, ela foi arrastada praticamente, enquanto os presentes pareciam mergulhados em uma verdadeira transe.
O monge estava na sala e viu quando as duas jovens passaram por si em direção a saída. Valentina ainda lhe dirigiu um olhar fuzilante, mas não parou, não havia tempo para isso agora, precisava apenas tirar aquela mulher daquela casa o mais rápido possível. Olhava para todos os lados, temerosa, imaginava o momento que Nathália viria toda aquela cena e logo armaria mais uma tocaia para se livrar de uma vez por todas da irmã que tanto odiava.
A Vallares mirou o pátio vazio, pensando para onde deveria seguir, então mirou a construção do estábulo e seguiu a passos largos, praticamente arrastando a ruiva para lá.
Só quando entraram no lugar foi que a arquiteta se desvencilhou da mão que a prendia.
A circense não pareceu se importar com a brusquidão. Seguiu até a porta e passou o trinco.
Os animais que ali estavam pareciam assustados, olhavam para as duas visitantes como se estivessem a lidar com intrusas.
O ambiente estava sendo iluminado apenas pela luz que penetrava pelas frestas. O feno estava espalhado pela baias e mais à frente havia um amontoado da forragem.
Ambas voltaram a se encarar.
-- Que brincadeira é essa? -- Indagou a morena cruzando os braços sobre os seios. -- Você continua desmemoriada, consigo ver na sua cara, então o que quer com tudo isso?
-- Não, realmente continuo sem me recordar das coisas, porém já sei toda a verdade e não ficarei mais um minuto neste lugar, enquanto meu filho corre riscos.
A Vallares sentia algo sufocar seu peito aos poucos e imaginava se aquele seria o momento que infartaria e cairia ali desmaiada.
-- Por favor, escute-me… -- Pedia tentando manter a calma.
-- Não, quando você teve a chance de falar, preferiu mentir, preferiu inventar desculpas.
-- Só desejo te proteger… -- Passou a mão pelos cabelos. -- Se sabe toda a verdade, também deve saber que eu não sabia de nada disso, que foi uma surpresa encontrá-la aqui… Que estou a me sacrificar e a sacrificar outras pessoas para que permaneça à salva.
Sim, a arquiteta sabia de tudo que fora contado pelo monge. Sabia de cada detalhe do arranjo, ainda mais da história da própria vida. Fitou os olhos negros a lhe soltar chispas e pensou que não tinha dúvidas de que havia algo entre elas, pois seu corpo reagia à bela mulher, desejava-a, mesmo que não ousasse admitir.
-- Desejo falar com a Nathália! -- Disse simplesmente. -- Foi para isso que vim aqui e não para ouvir suas lamúrias!
Valentina soltou um longo suspiro, enquanto mordiscava o lábio inferior demoradamente.
Que loucura era aquela que estava acontecendo naquele momento?
Qual o caminho para seguir agora?
-- Quero falar com a Hanminton!
-- Óbvio que você não fará isso! -- Negou veemente. -- Acha mesmo que depois de tudo o que se passou eu deixarei que seja vista pela Nathália ou pela duquesa? -- Indagou em exasperação. -- Ponha uma coisa nessa tua cabeça avariada: Essas mulheres querem te matar! -- Pronunciou a última frase pausadamente.
-- Não me impedirá! -- Avisou lhe apontando o indicador em riste. -- ainda mais agora que sei sobre os riscos que o meu filho corre.
Valentina se aproximou.
-- Nosso filho! -- Enfatizou. -- E você ainda corre riscos, deve se manter quieta, escondida.
A ruiva lhe tomou pelos ombros, fê-lo cheia de irritação, fê-lo em total descontrole.
-- Não tenho medo algum e não adianta tentar me dizer o que devo ou não fazer, abra logo essa porta e me deixe sair!.
A morena estreitou os olhos ameaçadoramente.
-- Não irá! -- disse por entre os dentes. -- Não irá! Eu não me sacrifiquei esse tempo todo para que saia por aí agindo como uma estúpida.
-- Sou Natasha Valerie!
-- E isso vai te fazer imortal? -- Desvencilhou do toque abruptamente, chegando a quase se desequilibrar. -- Foi um milagre que não tenha morrido naquele atentado, foi uma verdadeira obra de Deus que permitiu que sobrevivesse, mas agora estás aqui querendo enfrentar a todos como se tivesse um peito à prova de balas!
-- E o que você sugere? -- A ruiva indagou por entre os dentes. -- Casar com a Hanminton e serem felizes para sempre? -- Ironizou. -- Só falta me dizer que o papel de namorada apaixonada está sendo promissor!
A trapezista tentava manter a calma, pois sabia que seu controle diante da situação seria decisivo, porém mesmo assim, ainda estava desejando enfiar a mão na face bonita da mulher que amava, quem sabe assim, ela deixasse de agir de forma tão idiota.
Mirou o garanhão e sentiu saudades de montá-lo, talvez o fizesse naquele dia, talvez quando o relógio zerasse um novo ano, estivesse a montar o cavalo e saísse por aquelas terra sem rumo, apenas sentindo o frio da noite lhe chicotear o rosto.
Encostou em uma das madeiras que isolava os animais, cruzou os braços sobre os seios, apenas observando a fêmea que a mirava em desconfiança.
-- Acha mesmo que isso é o que desejo? -- Perguntou magoada. -- Sabe quanto sofri quando pensei que estava morta? Aquelas pessoas que estão lá fora, Leonardo e Helena, viveram um verdadeiro inferno com a sua perda! Não fomos consultados sobre nada, ninguém chegou para gente e disse: A Natasha está viva, mas precisam fingir que ela morreu, assim estará segura. Te buscamos dia após dia inutilmente, não permitindo que a esperança, uma simples fagulha, se apagasse e você me acusa de gostar de estar com a Nathália!
A arquiteta umedeceu os lábios, sentiam-nos ressecados, parecia que necessitava de água.
-- E você acha que eu sabia?-- Questiono, fitando-a. -- Quando você teve a oportunidade de falar, mentiu, preferiu continuar com esse jogo estúpido.
-- Estou tentando salvar sua vida! -- Grunhiu por entre os dentes. -- Você pode estar sem memória, mas continua sendo uma idiota de cabeça dura que acha que sabe e pode tudo!
O maxilar da neta de Isadora enrijeceu, enquanto os olhos se estreitavam em advertência.
-- Não ficarei escondida de forma alguma!
Valentina ponderava qual seria a saída para aquele perigoso impasse. Tentava manter a calma, respirava fundo, buscando se controlar diante da teimosia da mulher que amava. Em pensar que desejara com todo o coração que ela soubesse a verdade, mas que agora se arrependia totalmente por ter ansiado algo assim.
Se Nathália a visse, tudo estaria perdido, mesmo que aquela fosse a solução para não perder o filho, não estava disposta a arriscar tanto.
-- Eu só preciso de um tempo, só preciso que confie em mim um pouco… Deixe que eu resolva as coisas. -- Aproximou-se dela. -- Eu só preciso de alguns dias para provar que a sua irmã é culpada pelos crimes, assim, irá presa e você estará salva.
Natasha a observava falar tão perto dos seus lábios e desejou provar mais uma vez daquela boca tão carnuda. Observava-a e a queria para si com mais loucura, com mais paixão. Fitou as mãos de dedos longos pousarem em seus ombros.
-- Uma semana será suficiente…
Valentina acariciava os ombros da ruiva e percebia pelos olhos ainda mais escuros que o corpo da poderosa arrogante Valerie respondia, não havia dúvidas que ela a queria, tão intenso quanto o seu próprio querer naquele momento, com a diferença que a circense tinha um propósito maior para aquela sedução.
-- Eu sei que está irritada, entendo seu lado, acredite, eu também estou e estou ainda muito mais só em pensar como perdemos tempo… -- Segurou a mão da mulher que amava, fazendo-a depositar em seus seus seios. -- Sabe como quase enlouquecia quando a vi vestida de freira, quando parecia tão distante… Eu sabia que não deveria querê-la tanto assim, mas como poderia ser diferente? -- Observou a veia pulsar no pescoço da amada. -- Eu desejava, queria mais que tudo que me reconhecesse, que me amasse novamente, que me tomasse para si…
Natasha sentia a maciez do tecido do roupão que ela usava, mas não eram os fios criados com tanta perfeição pelo bicho-de-seda que a deixava em puro desejo naquele momento, mas os montes redondos que pareciam confortáveis em suas mãos.
-- Valentina… -- Repreendeu-a.
-- Você quer falar com a sua irmã? É isso que deseja? -- Indagou em voz baixa.
A ruiva se afastou, tentando sair daquele encantamento de sedução.
-- Sim! -- Disse firme.
-- Pois, espere que eu já volto!
A arquiteta a viu se afastar e já caminhava para encontrá-la quando viu as grandes portas do barracão serem fechadas.
Rapidamente, tentou abri-la, mas foi um ato ineficaz.
Gritou pela jovem até sentir a garganta arranhar.
Encostou as costas na madeira escurecida, percebendo que fora ludibriada novamente pelo anjo de olhar negro.
-- Valentina! -- Bradou por ela.
A morena continuava parada do lado de fora, ouvia os resmungos e os socos na madeira. Sabia que ela não sairia daquele lugar, não sem que lhe abrisse a porta. Talvez tenha sido uma péssima ideia, mesmo assim, fora a única coisa que lhe ocorrera em seu intenso desespero.
Não podia negar que ainda estava em total aflição só em imaginar que a duquesa teria a guarda do seu filho, porém buscaria outra saída, de forma alguma arriscaria novamente a vida da mulher que tanto amava.
Gumercindo se aproximou desconfiado. Tirou o chapéu em respeito e indagou:
-- Tudo bem, patroinha?
Valentina fez um gesto afirmativo com a cabeça.
-- Eu preciso que mantenha a freira presa aqui dentro…
O homem franziu o cenho.
-- Mas por qual razão?
-- Não me faça perguntas, apenas faça o que estou pedindo, cuide-a para que tenha água e comida, mas de forma nenhuma ela pode sair!
Ele acenou afirmativamente.
-- Outra coisa, não deve comentar sobre isso com ninguém, principalmente com a visita, a minha namorada.
-- Como a senhorita ordenar será feito!
A Vallares voltou a prestar atenção nos sons que vinham do interior do estábulo, mas tudo parecia tranquilo, então seguiu para a casa.
Helena, Leonardo, Nicolay ouviam toda a narrativa feita pelo monge. Estavam no escritório e esperavam ansiosos pelo retorno das duas mulheres.
O casal Antonini ainda pareciam descrentes de tudo o que ouviram, mesmo tendo visto a ruiva diante de si.
A porta se abriu e a morena entrou.
Ela mirava a todos com atenção e pelos olhares, tinha certeza que toda a narrativa já tinha sido repassada.
Observou o filho brincando no carpete, agachou-se e tomou-o nos braços, apertando-o junto ao peito.
-- Eu sei que deveria ter contado a verdade a vocês, ainda mais porque sou testemunha da dor que viveram, entretanto, tive medo, temi que algo de ruim voltasse a acontecer com a Natasha.
Helena foi a primeira a falar, estava magoada, mas entendia os motivos da circense. Ela mais que ninguém conhecia a perversidade da família Hanminton, ela mais que ninguém testemunhara cada barbaridade feita pela duquesa e sua neta preferida, então mesmo que estivesse chateada, aquele fora o melhor a ser feito.
-- Onde está ela? -- Indagou apreensiva.
Valentina não respondeu de imediato, fitando o monge em questionamento.
-- Eu não podia continuar a mentir, filha. -- O religioso falou. -- Não sabe como ela estava se martirizando diante de tudo o que sentia.
-- Agora não há tempo para nos lamentarmos, infelizmente, a Valerie continua tão cabeça dura como quando sua memória estava em perfeito estado. -- Tomou a mão do filho e beijou. -- Ela desejava enfrentar Isadora e Nathália, veio aqui para isso.
-- Mas e onde ela está? -- Antonini indagou preocupado.
A morena mordiscou o lábio inferior demoradamente, enquanto soltava um longo suspiro.
-- Está presa no barracão onde ficam os animais…-- Observou o olhar de incredulidade de todos e se apressou na explicação. -- Entendam que estou fazendo isso pelo bem dela, pois sabemos que assim que as Hanmintons descobrirem que ela está viva, armarão milhões de planos para se livrarem da indesejada filha de Elizabeth… Acreditem, eu tentei de todas as formas possíveis dissuadi-la desse propósito de enfrentar a irmã, argumentei, implorei que me desse um tempo, mas ela não cedeu, então não tive outra forma de agir.
O conde via o desespero da neta e entendia seu ato impensado, por isso decidiu apoiá-la.
-- Acho que a Valentina fez o que vocês fariam também… Pelo que o monge disse o plano inicial era mantê-la segura até que o detetive tivesse as provas necessárias para denunciar a duquesa, então devemos seguir os planos.
Todos permaneceram em silêncio, apenas se ouvia a respiração de todos. Ponderavam sobre aquele fato que os deixaram perplexo, pensavam qual o melhor caminho a seguir a partir daquele momento.
Não demorou e a porta foi aberta.
Nathália entrou, enquanto seu olhar perscrutador passava de um a um dos presentes.
-- Trouxeram um padre? -- Arqueou a sobrancelha em ironia. -- Não me digam que já é aniversário de morte da minha irmanzinha e eu não sei.
-- O que você quer aqui? -- O conde indagou irritado.
A jovem não pareceu se importar com a forma que foi tratada.
-- Apenas vim saber com a minha futura esposa quando deixamos essa maldita fazenda. -- Aproximou-se, abraçando a cintura do morena possessivamente. -- Na verdade, eu não tenho porque fingir de boa moça diante de pessoas que não gostam de mim, sei que me odeiam, porém também sabem que o futuro desse bebezinho lindo depende de mim… Não tenho dúvidas que já devem ter ido consultar todos os advogados disponíveis e com certeza a única resposta que receberam foi algo negativo, então só resta a mim, só resta aceitar a minha proposta, mas não precisam se preocupar, eu não gosto de vocês, mas realmente estou apaixonada pela Valentina.
-- Não vamos discutir sobre isso agora. -- A circense se desvencilhou. -- Também não quero discussão, afinal, vamos fazer parte da mesma família, então espero que seja agradável com as pessoas que são queridas a mim. -- A morena falou.
A irmã de Natasha assentiu e esboçou um sorriso.
-- Podemos retornar hoje então? Quero que fique comigo no navio nesse réveillon.
A trapezista sabia que aquela seria a solução perfeita que estava esperando cair dos céus. Iria embora com a Nathália e assim evitaria o encontro entre as irmãs.
-- Irei agora mesmo pedir que passem um rádio para o piloto e assim que ele estiver aqui, seguimos para a cidade.
A morena deixou o escritório com o filho nos braços, enquanto o clima entre os presentes pareciam esquentar novamente.
-- Eu tenho muito a agradecer… -- Nathália dizia, enquanto ocupava a cadeira de frente para a escrivaninha. -- Se não fosse Leonardo e Helena, a minha avozinha jamais teria ido ao juiz reclamar a guarda do pirralho. -- Girava em noventa graus. -- Acho que vocês falharam miseravelmente, e não só com a Natasha, mas com o filho dela.
-- Você é uma víbora! -- O arquiteto a acusou. -- Seu interesse é apenas financeiro, só isso que deseja.
-- Eu? -- Fingiu-se de ofendida. -- Eu faço parte da aristocracia, tenho prestígio suficiente que o dinheiro da Valerie nunca compraram… Ah sim, ela era uma assassina, Nicolay, não esqueça de que a minha irmã tirou a vida da sua amada filha.
O maxilar do conde enrijeceu, mas permaneceu quieto, enquanto apertava forte a bengala. Esperaria o momento certo, sabia que não demoraria para que os culpados por aquele crime pagassem caro.
-- Padre, perdão por estar falando essas coisas diante do senhor. -- A Hanminton dizia. -- Mas há tanta sujeira na consciência dos presentes que nem se rezassem um milhão de Ave Maria poderiam ser perdoados.
-- Chega, Nathália! -- Helena foi quem falou. -- Acha mesmo necessário ficar aqui nos enfrentando?
-- Eu? -- Dramatizou novamente. -- Essa não é a minha intenção, diferente de vocês, acham que não sei que estão a tramar às minhas costas? Acham que sou tola o suficiente para não imaginar que estão com cartas na manga? -- Levantou-se, apoiando as mãos na madeira. -- Direi apenas uma vez e espero que ouçam bem. -- Encarava cada um com superioridade. -- Não há nada que possam fazer diante da ordem judicial. Victor não tem o sangue dos Vallares, ele tem o meu sangue e o da duquesa, somos a única família desse menino… Nenhum juiz negará a guarda… Então, se realmente querem o bem do garoto, deixe que a Valentina se case comigo, não fiquem no meu caminho ou será pior, desejo que comecemos um novo capítulo, esqueçamos tudo o que passou… Só assim poderemos viver em paz.
Nathália seguiu até a porta, mas não saiu de imediato, voltando-se para os presentes.
-- Não queiram me ter como inimiga!
Sem mais, a jovem saiu do recinto.
Nicolay se levantou.
-- É isso que enfrentaremos, é isso que a Natasha enfrentará se aparecer para todos.
-- Mas não podemos deixar que a Valentina se case com essa mulher, é uma doente! -- Leonardo protestava. -- Ela está certa, nossos advogados já deixaram claro que seria uma luta inútil, vamos perder, mas a mãe dele está viva.
-- Mas não estaria por muito tempo que elas ficarem sabendo da verdade! -- Helena se levantou. -- Sei que tudo parece uma loucura, porém eu entendo a atitude que a Valentina teve, ela sabe, ela e nós sabemos quão grande será o risco se tudo for dito nesse momento.
-- Sugere então que continuamos a fingir a morte da Valerie? -- O arquiteto questionava incrédulo. -- Já imaginou como ela ficará quando recuperar a memória? Ela nem o fez ainda, e já está soltando fogos pelas narinas.
O monge via como todos estavam desesperados, então decidiu interceder.
-- A Natasha é a única solução nesse momento, porém, a forma como ela age, como ela deseja enfrentar a todos seria um sério problema. Sabemos que não aceitará ficar escondida, sabemos que não ficará à parte nesse jogo.
-- O melhor a se fazer é deixá-la escondida. -- Nicolay falou. -- Retornamos para a cidade, iremos até o detetive e veremos se ele já conseguiu as provas necessárias para que a denúncia seja feita. Eu mais que ninguém não permitirei que esse casamento aconteça, porém sei que se a Natasha morrer, minha neta morrerá junto, então o melhor a fazer é deixá-la aqui e buscarmos resolver todo esse impasse.
Eles sabiam que aquela seria a saída, proteger a Valerie de tudo e de todos.
Naquela tarde, Valentina deixou a fazenda acompanhada de Nathália, o filho e o conde. Deixara ordens para que assim que o helicóptero levantasse voo, a ruiva fosse libertada do estábulo, mas continuaria presa na fazenda.
Helena e Leonardo decidiram ficar mais um dia. Desejavam se aproximar da filha que pensaram ter perdido.
Estavam na varanda em companhia do monge quando a viram deixar o grande estábulo.
Seu olhar era duro, igual seus passos.
Aproximando-se de cabeça erguida e só quando estava bem próximo falou:
-- A Vallares está brincando comigo. -- Disse por entre os dentes. -- Imagino que ela e a minha irmã não estejam mais aqui.
Helena se aproximou e mesmo vendo a exasperação na face bonita, abraçou a arquiteta.
A ruiva deixou os braços soltos ao lado do corpo, mas ao ouvir o choro da mulher, algo a tocou em seu íntimo, então a abraçou, sussurrando palavras em seu ouvido.
Antonini observava a cena e pensava que nem se vivesse um milhão de anos poderia agradecer por aquele milagre. Lembrava-se das noites em claro, das tantas vezes que ficava apenas a lembrar da empresária em sua armadura de autossuficiência, mesmo ele sabendo como fora ferida a vida toda.
Lentamente seguiu até aqueles seres que mais amava em todo o universo, aproveitando o momento mais tocante da sua vida.
O conde observava a neta, enquanto via Nathália dormir tranquilamente como se não tivesse plantado o mal entre todos.
Valentina era a melhor de toda a sua família, o aristocrata ponderava. Ela se sacrificava pelos que amava, mesmo sabendo o destino cruel que poderia encontrar. Via em seu olhar perdido, enquanto observava as nuvens, via em seu olhar quieto que faria tudo para proteger a mulher que amava e o pequeno Victor.
Como Nícolas fora tola em pensar que prendendo a filha naquele quarto, faria-a desistir da Valerie. Apenas a Natasha seria capaz de destruir aquele amor, porém pelo que percebia e via nos olhos verdes, mesmo sem memória, o sentimento continuava, continuava entre ambas como se fosse uma força tão intensa quanto à gravidade, como ar que respiravam.
A circense lhe dirigiu um olhar e com o acenar de cabeça quis dizer que tudo ficaria bem.
Naquela mesma tarde a neta da duquesa acompanhada da neta do conde embarcaram no cruzeiro. Valentina precisou deixar o filho aos cuidados da babá na casa do conde, pois temia que o garoto enjoasse a viagem, sem falar que não desejava que o pequeno ficasse perto da duquesa.
Arrumava-se, quando a porta se abriu e a irmã de Natasha entrou.
Não havia dúvidas que era uma bela mulher, ainda mais vestindo o modelo exclusivo de vestido branco que não tinha alças, desenhando bem o colo farto, a cintura fina e descendo até as pernas longas. Os cabelos negros estavam presos no alto e alguns fios adornavam seu rosto bem maquiado.
-- Nem preciso perguntar se estou linda, porque pela sua expressão, não tenho dúvidas. -- Disse com um sorriso, enquanto se aproximava. -- Você também está maravilhosa. -- Deu-lhe um beijo rápido nos lábios. -- Vovó nos espera.
A morena assentiu, enquanto se voltava para o espelho e arrumava os cabelos que caiam no ombro em uma trança.
Arrumou a alça do vestido prateado que tomava seu corpo como uma segunda pele, deixando-a ainda mais sexy.
Retocou o batom, enquanto observava Nathália. Não conseguia entender como um ser humano podia agir de forma tão miserável como ela fazia. Não havia sentimentos de nenhum tipo, nem mesmo Natasha com toda sua frieza podia ser comparada.
Rezava a Deus para que as coisas se resolvessem o quanto antes, pois só em imaginar ser tocada por aquela mulher, causava-lhe nojo.
-- Podemos ir? -- A herdeira da duquesa falou.
A morena assentiu.
Juntas deixaram a suíte.
Rick observava tudo que lhe fora exposto, enquanto seu olhar retornava para a bela mulher.
-- Por quê? -- Indagou.
A loira apontou a cadeira para que ele sentasse, depois fez o mesmo.
-- A minha mãe foi cúmplice de Nathália por muito tempo, ainda mais quando fora desprezada pela Natasha.
-- E onde está a Briana? -- Pegou as fotos, observando-a cuidadosamente.
-- Morta… -- Falou em uma mistura de tristeza e alívio. -- Vivera obcecada pela Valerie durante muitos anos, perdera o cargo na universidade, seus projetos… Só desejava destruí-la e gastara tudo o que tinha para conseguir esse intuito.
O detetive se levantou.
O escritório era bastante elegante. Fora levado até ali pelo homem que lhe seguia, mas só depois de receber a permissão daquela jovem.
Caminhou observando os quadros e um em especial lhe chamou a atenção. Naquele a neta rejeitada da duquesa aparecia. Com certeza se tratava de uma adolescente na época, mas seu olhar já trazia aquela expressão perdida e arrogante.
-- Por que me mandou seguir? -- Questionou. -- Poderia simplesmente ter falado comigo.
-- Eu o investigo há um bom tempo, ainda mais depois do suspeito desaparecimento da Valerie, desde que falaram que ela estava acompanhada de um detetive. -- Abriu as gavetas e colocou sobre a escrivaninha os inúmeros recortes de jornais. -- Imagino que ela não saiba quem você é, você mesmo até há alguns meses não sabia.
O maxilar de Rick enrijeceu.
-- O que quer?
-- Justiça conta as Hanmintons… Quero que elas paguem pelo que fizeram com a minha mãe, por todos os momentos de angústias que a fizeram passar.
-- Sua vingança se entende a Natasha também, Rebeka?
A loira exibiu um largo sorriso.
--Não, afinal, eu sou testemunha que seria quase impossível não cair na sedução da ruiva… Falando nela, quando a trará de volta?
-- Você andou com a Nathália! -- Acusou-a.
-- Eu ando com a Nathália há muito tempo… Mas nunca me associou a minha mãe, na verdade, fui praticamente criada com meu pai, então nem mesmo o sobrenome da Briana carrego comigo.
Ele apoiou as mãos no tampo da mesa.
-- Se isso for uma armadilha…
-- Sim, eu sei, se for uma armadilha vai me matar, sei que faria qualquer coisa para proteger a Natasha e entendo sua desconfiança… Durante algum tempo eu a culpei por tudo, até um dia receber todas essas lembranças… Quando meu pai morreu, isso aqui ficou fechado…
Ele voltou a ouvir as gravações, havia inúmeras dela.
-- Rebeka… se realmente você está sendo sincera, terá toda a minha gratidão.
-- Não a desejo, mas quero muito falar com a Valerie… Isso que desejo.
-- Quando ela estiver segura, você falará.
Duas semanas depois, os jardins da mansão Vallares estavam prontos para o casamento mais comentado da aristocracia.
Valentina observava o próprio reflexo no espelho e pensava se poderia levar aquela farsa adiante. Sabia que a partir do momento que aceitasse aquela união, não haveria mais desculpas para negar intimidade à Nathália. A neta de Isadora já deixara bem claro, aquele quesito fazia parte do contrato de casamento, caso fosse o contrário, perderia o filho.
O exame já fora feito e fora comprovado que a criança tinha apenas o sangue dos Hanmintons, isso significava que seria uma batalha perdida.
Suspirou, enquanto lembrava-se de Natasha.
Queria ter retornado à fazenda, queria ter podido explicar suas ações, mesmo sabendo que ela não entenderia.
Sim, poderia tê-la trazido de volta, poderia usá-la para proteger o filho, mas quem a protegeria?
Não estava disposta a perdê-la novamente e ainda mais em definitivo. Não tinha as provas necessárias ainda, nem conseguira encontrar o detetive, então o melhor a fazer era seguir aquele plano sórdido e rezar a Deus por um milagre.
O conde adentrou os aposentos. Trazia nos braços o neto. Sorriu ao vê-la tão linda.
Aproximou-se, depositando um beijo em sua testa.
-- Você tem ideia de como sou orgulhoso por ser seu avô? -- Indagou emocionado. -- Poucas pessoas seriam tão corajosas, filha.
Victor se jogou nos braços da mãe.
Ele estava lindo. Usava um mini terno que fora confeccionado sob medida. Os cabelos ruivos estavam maiores. O riso alto contagiava a todos. Amava-o tanto que não imaginava sua vida sem sua alegria.
-- Vovô, preciso que vá até a fazenda, eu imploro que fale com a Valerie, preciso que ela entenda a minha posição nessa história.
O conde assentiu, mas nada disse.
-- Ainda você pode desistir, ainda pode fugir para longe com seu filho. -- Falou mesmo sabendo que ela não aceitaria.
-- Eu não faria algo assim nunca… -- Soltou um longos suspiro. -- Onde está Helena?
-- Ainda não chegou, houve um problema… Mas estarão aqui em breve.
Valentina seguiu até a janela e viu como já havia pessoas no jardim.
Como conseguiria continuar com aquela farsa?
Batidas na porta precederam a entrada da duquesa.
Espalhafatosa, Isadora usava um vestido vermelho e um chapéu combinando com os trajes. O olhar desdenhoso passeava pela circense.
-- Vejo que escolheu o modelo mais básico. -- Disse, enquanto torcia a boca.
-- A minha neta ficaria linda até se usasse trapos! -- O conde seguiu para o lado da morena. -- Diferente de outras pessoas.
A aristocrata pareceu não se importar com o que ouvia, seguindo até Valentina lhe estendeu um envelope.
-- Caso pense em desistir de última hora, aqui está um estímulo.
A Vallares abriu e lá estava a ordem judicial. A guarda do filho pertencia a duquesa a partir daquele momento.
Prendeu a respiração.
-- Eu já disse que não desistirei! -- Amassou o papel jogando no chão.
A duquesa esboçou um sorriso, enquanto tocava os cabelos do bisneto, mas a morena lhe afastou a mão.
-- A Nathália teve um pequeno problema, talvez chegue em cima da hora, então desça e a espere, afinal, aqui você quem representa o povão. -- Seguiu até a porta, mas não saiu de imediato, voltando para fitar a jovem. -- Seja gentil e mostre felicidade, não quero escândalos envolvendo o nome da minha família.
Nicolay não teceu nenhum comentário, apenas parecia ponderar sobre tudo.
O enlace ocorreu diante do juiz e das testemunhas.
Os presentes comemoraram junto com as noivas.
Valentina permanecera o tempo toda calada, até mesmo quando foram danças, permaneceu quieta, pois a única coisa que desejava naquele momento era seguir para o quarto e chorar, chorar por toda a noite.
Quando teve a oportunidade, livrou-se da presença da esposa, seguindo até o garçom, pegou uma taça de champanhe.
Não tinha conseguido falar com Helena e tampouco com Leonardo, ambas chegaram quase no final da cerimônia e não se aproximaram.
Já era madrugada quando a circense seguiu para o quarto nupcial. Na manhã seguinte viajariam em lua de mel.
Adentrou os aposentos e ficou surpresa ao encontrar Nathália lá. Imaginou que ela ainda estaria na festa, porém não, estava lá, vestia roupão branco e os cabelos estavam presos no alto da cabeça.
O quarto estava mergulhado na penumbra, preferia assim, não queria olhá-la, não queria vê-la, queria apenas morrer naquele momento.
Já seguia por ela em direção ao banheiro quando a outra lhe segurou pela mão e com voz rouca e baixa indagou:
-- Para onde vai, palhaça de circo?
Os olhos negros pela primeira vez naquele dia fitaram a mulher com quem contraiu matrimônio. Não a olhara em nenhum momento, mas agora o fazia, mirava os olhos verdes, estavam escuros.
Engoliu em seco.
-- Valerie! -- Falou baixinho.
Um sorriso brotou perigosamente no canto dos lábios carnudos, enquanto o característico arquear de sobrancelha acompanhava o sarcamo que fazia parte de Natahsa.

Ela voltou ????? !!!!! Uiaaaa! Mas vamos esperar os próximos episódios!!!! Kkkk show!!!
ResponderExcluirAh, sim, a Valerie retornou e parece que veio montada no cavalo do apocalipse.
Excluirkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Oh God .. morro antes de acabar porque cada capítulo, pai amado ❤️
ResponderExcluirCalma, baby, emoções por vezes kkkkkkk assim vc continua vivinha para continuar a ler.
ExcluirBeijos.
Que isso gente ...como assim ela se casou com Natasha???? Meu Deus isso é mt coisa pra o meu coração kkkkkkkk Geh sua lindaaaa uhuhuuuu ...amoooooooooo demais.....agora vamos descobrir o que aconteceu com Natabruxa kkkkkkk bjssssss tudo .
ResponderExcluirOlá, meu bem, pelo que vejo o gênio que sopra em meu ouvido fez essa nova peripécia, vamos ver o que o futuro reserva para as duas irmãs e a Valentina kkkkkkkkkkkkk
Excluirbeijão, linda.
Yessssssssssssssss! Natasha voltou, que maravilha! A sensação foi de gol da vitória aos 45min do segundo tempo, desculpa aí, vou ter que mandar um “chupa Nathália” kkkkkkkkkkkkkkkkkk espero que a víbora esteja sob os domínios da Valéria, presa em algum buraco no melhor estilo: “me serve, vadia! Me serve!” Kkkkkkkkkkkkkk.
ResponderExcluirHaverá noite de núpcias? Diz que sim, kkkkkkkkkkk estamos com saudades desses momentos.
Super bj Geh.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk estilo novela das oito é perfeito, pois Nathália merece coisa pior, ainda mais depois de ter mostrado a face de bandida, entretanto ainda não sabemos o que se passou com a netinha amada, talvez tenha ficado perdida nas suas maldades, assim não vai participar da lua de mel.
ExcluirJuro que o corretor troca o nome da VALERIE foi mal rsrs
ResponderExcluirBjssss
kkkkkkkkkkkkk normal, meu bem, eu que complico os nomes das personagens.
ExcluirBeijão grande!
Autora,volte aqui! Não pode terminar o capítulo assim...
ResponderExcluirA Valentina escutou
as palavras "palhoça de circo",é sinal que alguém voltou e com a memória recuperada.
Espero que tanto a Nathalia quanto essa bruxavó morram,pois só a morte delas fará a Natacha ser livre com os seus.
A cada capítulo a história fica melhor.
Beijão autora 😘😘
Olá, meu bem, tive uma semana corrida, mas estava super ansiosa para aparecer aqui e atualizar esse capítulo. Agora vamos ver como as coisas estão e em que pé as nossas protagonistas se encontram rsrsrsrs
ExcluirBeijão grande.
Meu Deus cadê minha autora preferida que não solta o próximo capítulo 😫😫😫😫
ResponderExcluirolá, meu bem, eis que já está disponível o novo capítulo.
ExcluirBeijos.